Toda simulação solar começa com dois números: o consumo em kWh e a tarifa da distribuidora. Quando um deles está errado, a economia parece ótima na conversa e desmorona na proposta. A boa notícia é que dá para conferir os dois em menos de um minuto, mesmo com o cliente do outro lado da mesa.
1. Pegue o consumo, não o valor da fatura
A fatura tem vários números. O que interessa para a simulação é o consumo do mês, em kWh. Ele costuma aparecer no histórico de consumo, perto do gráfico de barras, e não no campo “total a pagar”.
Anote também:
- o nome da distribuidora;
- o mês de referência;
- se a conta é residencial, comercial ou rural;
- se há geração própria ou crédito de outra unidade.
Esses três últimos itens mudam a leitura do resultado. Uma conta comercial com demanda contratada, por exemplo, não se comporta como uma residência.
2. Separe a tarifa de energia dos outros itens
O valor total da fatura inclui mais do que energia: iluminação pública, impostos, bandeiras tarifárias, eventuais multas e juros. Dividir o total pelo kWh e chamar o resultado de “tarifa” é o erro mais comum — e o que mais infla a economia projetada.
Use a tarifa de energia (TE + TUSD) que aparece na própria fatura ou no contrato. No Conta na Mesa, as tarifas de demonstração são:
| Distribuidora | Tarifa de demonstração |
|---|---|
| Cemig (MG) | R$ 0,94/kWh |
| Cosern (RN) | R$ 0,88/kWh |
| Enel (SP, RJ, CE) | R$ 0,91/kWh |
Esses valores são premissas de demonstração do produto, não uma tabela ANEEL. Numa proposta real, a tarifa da fatura do cliente manda.
3. Faça a conta em três linhas
Com consumo e tarifa em mãos:
- Conta atual: kWh × tarifa.
- Nova conta: taxa mínima de disponibilidade. Na demonstração do Conta na Mesa, R$ 75,20.
- Economia mensal: conta atual − nova conta. Multiplique por 12 para a economia anual.
Exemplo com 620 kWh e Cemig:
- conta atual: 620 × 0,94 = R$ 582,80;
- nova conta: R$ 75,20;
- economia mensal: R$ 507,60;
- economia anual: R$ 6.091,20.
Se o cliente paga bem mais do que R$ 582,80, a diferença provavelmente está em itens que não entram na simulação. Explique isso antes que ele pergunte — transparência vende mais do que um número redondo.
4. Confira a ordem de grandeza
Antes de mostrar qualquer resultado, faça uma checagem rápida:
- A conta simulada está próxima da conta real? Se estiver muito abaixo, a tarifa pode estar desatualizada.
- O consumo está na faixa certa? 620 kWh é uma residência; 6.200 kWh pode ser um comércio com outra estrutura tarifária.
- A taxa mínima faz sentido para o tipo de ligação? Monofásica, bifásica e trifásica têm valores diferentes.
Essa checagem evita a pior cena possível: o cliente reconhece que o número não bate e perde a confiança no restante da proposta.
5. Mostre o resultado no formato da conversa
Não entregue uma planilha. Entregue uma frase que o cliente consiga repetir para a família:
“Hoje você paga cerca de R$ 582 por mês. Com o projeto, a conta cai para a taxa mínima de R$ 75,20. São R$ 507,60 de economia por mês, ou R$ 6.091,20 no primeiro ano.”
Depois, convide para o próximo passo:
“Quer que eu monte a proposta com a sua fatura e o seu telhado? Levo cinco minutos.”
Checklist de 30 segundos
- Consumo em kWh, não o total em reais.
- Distribuidora e tipo de ligação identificados.
- Tarifa de energia separada dos demais itens.
- Taxa mínima aplicada ao tipo de ligação.
- Conta simulada conferida com a conta real.
- Resultado em uma frase, com economia mensal e anual.
Com esse roteiro, a simulação deixa de ser uma estimativa solta e vira a primeira peça de uma proposta defensável. O cliente não compra o número: compra a segurança de que o número foi calculado com o que está na fatura dele.